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Grandes nomes da moda: ELSA SCHIAPARELLI

Hoje iremos falar sobre a história de um dos grandes nomes da moda no mundo: Elsa Schiaparelli (1890-1973).

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 Elsa era italiana e sua relação com a moda começou quando ela se casou e foi morar em Nova York, onde conheceu Gaby Picabia, mulher do artista dadaísta, Francis Picabia, dono na época de uma boutique de roupas francesas na cidade. Schiap, como era chamada, começou a trabalhar na loja e conheceu importantes nomes da cena artística da época, como Marcel Duchamp e Man Ray.

 Mais tarde, em uma reviravolta de sua vida amorosa, se mudou para Paris, quando o marido a deixou, se envolvendo ainda mais com o mundo das artes. Foi quando conheceu Paul Poiret, que encantado com seu estilo icônico, ofereceu vesti-la com suas criações, como uma estratégia de marketing pessoal. Seu contato com uma casa de alta costura de tão grande qualidade, no meio do luxo, envolvida com cores, materiais e formas, se tornou um divisor de águas na sua vida e a inspirou a criar.

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Elsa usando seu suéter de tricô preto com um laço branco trompe-l’oeil (na esquerda) e Schiap com Salvador Dalí(na direita).

Sua primeira peça foi um suéter de tricô preto com um laço branco trompe-l’oeil. A peça foi um sucesso, imediatamente aclamada pela ‘Vogue’ como “uma obra de arte”. Desde então ela não parou mais, criando peças excêntricas, criativas, fora dos moldes, mas muito usáveis. Sua inovação e pitada de humor eram fruto da influência da arte em sua vida. Desenvolveu grande amizade com os pintores dadaístas e surrealistas, que inspiraram diversas criações. Artistas como Alberto Giacometti e Salvador Dalí, com quem até mesmo criou o vestido “Lagosta” e as conhecidas embalagens de seus perfumes.

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Wallis Simpson, Duquesa de Windsor, usando o vestido Lagosta para uma sessão de fotos na Vogue (na esquerda). Embalagem do perfume ‘Le Roy Soleil’, de Elsa Schiaparelli, desenvolvida por Salvador Dalí.

Em 1935, ela abriu uma das primeiras maisons de alta-costura de Paris, na place Vendôme. Vendeu as primeiras saias-calças para jogadoras de tênis, transformou a flanela (tecido viyella) em um material de luxo, como Chanel fez com o jersey, se adaptando a escassez dos tecidos durante a guerra. Criou a modelagem sereia, o vestido tuxedo, a abotoação lateral e a jaqueta “hard chic” com bordados. Foi uma das importantes estilistas que configuraram o visual da década de 30-40: cintura fina, saia longa e reta, com ombros largos.

 Outra faceta de Elsa era sua habilidade com publicidade. Seu relacionamento com a sociedade envolvida nas artes lhe rendia não só criações, mas também espaço nas colunas sociais. Ela também foi pioneira no lançamento de sua coleção de óculos, prática mais que comum hoje das empresas de moda.

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As saias-calça para as jogadoras de tênis (na esquerda) e a propaganda da sua linha de óculos (na direita).

 Quando os nazistas invadiram a França, Schiaparelli voltou para os EUA e lá ficou até 1945, vivendo de palestras. Com o fim da guerra, retornou para Paris e reabriu sua boutique, mas as novas tendências do momento e o “new look”, não combinavam com seu estilo e em 1954, Elsa fechou seu negócio.

 50 anos depois, a marca foi vendida e busca se reposicionar, em cima dos mesmos pilares que Elsa a criou. Foi reaberto seu endereço na place Vendome, em 2012, e em janeiro de 2014, foi desfilada sua primeira coleção de Alta Costura, desde seu fechamento em 1954, tendo Marco Zanini como designer criativo da grife.

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Interior do endereço na place Vendome, atualmente.

 Em 06/07/2015 ocorreu o desfile da Schiaparelli na semana Couture sob a estreia de Bertrand Guyon (ex-Givenchy e Valentino) em sua direção de criação.

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O desfile de Alta Costura que aconteceu nesta semana: peças com pegada dândi, muitos brocados e ares cosmopolitas.

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